Bom, parece que chegámos. Primeira impressão: uau. Isto não é, de todo, aquilo que eu estava à espera. Não tem nada a ver com o sítio de onde partimos. Está frio aqui. Estou à procura do calor do teu corpo para me aquecer, mas está escuro e torna-se difícil ver onde estás. Por que é que o brilho que fizeste nascer nos meus olhos não está a iluminar tudo à minha volta como antes? O cheiro do teu corpo já não está entranhado na minha pele. Aliás... já não o sinto em lado nenhum. Ainda não te consegui encontrar. Porque é que não estás aqui, ao meu lado? Para onde foste? Nós não estávamos a navegar no mesmo barco? A remar na mesma direção? O que é que aconteceu? Não naufragámos, porque eu ainda estou aqui. Só resta uma opção: tu abandonaste o nosso barco. Deixaste-me a navegar sozinha até chegar aqui. Sozinha, sem nada, vazia. Nem sequer sei o motivo do teu desaparecimento, já não sei nada sobre ti. Na verdade, acho que sei onde te encontrar, mas não sei como chegar a ti, e isso é o equivalente a deixar de te conhecer.
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