sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Bilhete de ida

Recebeste o bilhete e foste para a estação sem avisar ninguém, sem informar a que horas seria a tua viagem. Mal soube o que tinha acontecido, fui a correr para lá, tão rápido que as lágrimas que me caíam dos olhos nem tinham tempo de me escorrer pela cara. Eram-me logo roubadas pelo vento que soprava na minha direção. Quando finalmente cheguei, não houve tempo para recuperar o fôlego sequer. Assim que os meus olhos encontraram aquela linha vazia, procurei desesperadamente por ti, em todos os cantos da estação. Percorri todas as escadas e passagens que existiam naquele lugar. Mas o que encontrei foi apenas um sítio vazio e silencioso, que acabara de ser invadido pelo som do bater acelerado do meu coração. Tu não estavas lá. Tinha chegado demasiado tarde. Naquele momento, não sabia se aquilo que me deixava mais triste era não me ter despedido ou o facto de que a única imagem que teria de ti, dali em diante, seria uma sombra daquilo que um dia foste. Enquanto esta dúvida pairava no ar que me rodeava, um arrepio percorreu todo o meu corpo ao fechar os olhos e perceber que havia algo maior que a minha tristeza, algo maior que a solidão que senti quando não te encontrei naquela estação, algo capaz de te roubar de mim para sempre: o bilhete. Esse bilhete só de ida que chegou às tuas mãos e te obrigou a viajar para longe de mim, sem nunca mais poderes voltar. 

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Depois das flores morrerem

Há uns tempos, lamentava por me teres abandonado. Hoje, olho para os estragos que fizeste por aqui e agradeço por não teres voltado. Ao olha...