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quarta-feira, 21 de agosto de 2024
Mudança de casa
Finalmente fizeste as malas e mudaste-te para outra casa. Já não aguentava mais carregar a bagagem que deixaste em mim. Passava o tempo todo a arrumar o quarto que te tinha alugado, mas, quando chegava a noite, voltava a estar tudo desarrumado. Perguntava-me constantemente: "Para quê tanto trabalho se acaba sempre tudo da mesma forma?". Mesmo assim, continuava a esforçar-me para empilhar todas aquelas cartas que guardavam as nossas memórias, que representavam toda a nossa história. Tu, parado a olhar, de vez em quando ajudavas-me, passavas-me uma ou outra carta, mas sempre das tuas favoritas. Assim que a torre se encontrava estável outra vez, voltávamos a conversar, íamos passear pela nossa imaginação, os dois juntos, de mãos dadas, como se nada fosse capaz de nos separar. Depois de uns dias de animação, o número de saídas começava a diminuir, as conversas eram sempre muito mais curtas, mais sérias, sem graça, sem amor. Os tremores de terra voltavam, cada vez mais fortes, e, mais uma vez, a torre da nossa relação desmoronava-se.
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