terça-feira, 5 de agosto de 2025

Afinal, era meu

Lembro-me de dizer que o teu amor nunca seria meu, mas agora sei que estava errada.

Agora que olho para trás e vejo tudo o que vivemos, percebo que sempre tive o teu amor - assim como tu também tiveste o meu.
Mas só tive essa noção quando o perdi.

Maldita regra da vida, que dita que só percebemos o tamanho das coisas quando as perdemos.
Não que eu não soubesse que o sentimento existia, eu sabia, mas pintava-o como carinho - talvez fosse por isso que a pintura nunca ficava boa. Não era carinho. Era amor.

Carinho faz falta quando acaba. Amor deixa um vazio. Carinho é delicado, às vezes despercebido. Amor é intenso e marcante - faz questão de arder na pele, para garantir que demos conta da sua presença. Carinho, talvez, possa ser dado por outro alguém.

Mas o amor... esse tem de transbordar sempre do mesmo olhar. Caso contrário, nunca será amor. Não aquele amor.

Agora, a tua ausência virou rotina. Já não acordo com o teu bom dia, nem adormeço com o teu boa noite. Já não passo o dia a rir com as tuas piadas - que, por acaso, eram as minhas preferidas.

Mas o que realmente mexe comigo é esta dúvida que me invade todas as noites e me deixa sem dormir: "Como é possível só sentir que o teu amor foi meu, agora que te foste embora? Como é possível continuar a senti-lo na pele, mesmo sem estares presente?".

E depois, quando desisto de adormecer, fico a vaguear pelas memórias dos nossos momentos.
E surge outra questão: "Será que este amor também te vibra na pele quando pensas em mim? Será que também sabes que ele também te pertenceu?".

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